Como seria ser livre e buscar a si mesmo, além das impressões, de um
lado de dentro que mais tem haver com as nossas variações entre profundidade e
superfície do que alguma discussão sobre a valorização de interioridade ou
aparência como principal pólo constituinte.
Amo do emerge advindo do que até então foi construído, mas, me retirando
da postura para olhar, talvez seja algo longe, distanciado sem eu mesmo
perceber. Por que a satisfação tem que estar tão distante da realidade. Não sei
como conjugar felicidade e vida real. Hoje acho que não estou no lugar certo,
mas como desfazer os enganos que eu mesmo contrui?
Como encarar a vida mudando não só frente às vistas, mas principalmente
dentro de você?
Inspiro com força e o ar quase que vira sentimento dentro do peito.
Expiro e o sentimento comprime e me imprime uma certa falta de quem vai. Quem vou, assim como se para
onde, como e sendo o que se continuassem num mesmo estado.
Sabia bem que havia muito mais pra entender do que àquilo que estava
dado às vistas.
Pois quando o poder corrompe o homem, o corrompe até não mais poder. Mas
essa era uma sabedoria daquelas que concebemos antes de errar, da qual
desejamos estar errado é da inevitabilidade da certeza, a qual escondemos na
ponta do nariz não para não vê-lá, mas para enxergar a esperança que somos
além.
Porque o presente sustenta toda decisão e a certeza não é fé, não vemos
porque decidimos ver, mas porque vemos sem duvidar dos olhos.
O que vem depois da satisfação?
Hoje aprendi o quanto as pessoas podem ser diferentes daquilo que
parecem ser. Soube na medida em que a vida, se derramado em palavras, se dispôs
frente as vistas e me apresentou outras explicações. As aparências tem muito
mais haver comigo e com as coisas que me compõe do que com o outro e suas
interioridades.
Meus olhos do coração estavam fechados, agora busco entender com fazer
isso de abri-los - comecei fechando os olhos e respirando fora de mim. Tenho
visto os outros sem me ter como base, nem sempre o mundo é uma derivação de
mim.
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