Uma vez (em um diálogo mental que investe ter com) uma amiga (só para lhe dizer coisas que talvez nunca tenha oportunidade de dizer), ela me perguntou o que fazia para desfazer nó de peito e excessos de pensamentos recessivos, e eu lhe disse (mentalmente o que parecia traduzir a sensação de pensar nela carregando o peso inventado de sua própria existência):
- Você já se perdeu muitas vezes de si mesma tentando ser outra pessoa. Talvez seja tempo de parar de tentar. Quem saber ser mais você mesma lhe doa menos?
Então (nas coerências dessa elaboração mental) ela me sorria e enxugando as lágrimas, parecia ter ouvido de mim a ordem frasal de uma verdade que já lhe era sabida, mas que - até então - não tinha lhe chegado assim em forma de palavra diagnosticada.
Mas quem me dera tivesse sido assim. Na verdade foi assado: ela me perguntou por que todo mundo estava sendo tão implante e impaciente com ela? E eu respondi que as pessoas não a conheciam bem e que devia ser só isso. Mas na verdade não fiz o que "devia" porque não queria envolver minha existência com a dela. O que eu queria lhe dizer na verdade servia pra mim mesmo, e falar seria duro de mais.
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